terça-feira, 5 de outubro de 2010

Coisas que não se perdem nunca

Todo mundo fala do vínculo materno com as crianças, especialmente pelo fato de ela ter passado nove meses dentro da barriga dela. Dizem que isso se reflete também em muitos momentos durante a vida, especialmente nos primeiros meses de vida. Para os filhos homens então, há quem ache que essa ligação não se desfaz nunca. O que toda mãe diz, e alguns filhos também (depois que aprendem a falar), é que conseguem se comunicar com o olhar, que a genitora sente quais são as necessidades da criança apenas pelo tom do seu choro, olhar ou voz.

Mas e o pai? O coitado passa nove meses aguentando (e achando lindo) as manhas das mulheres grávidas, fazendo as suas vontades e morrendo de preocupação. Passa toda a gravidez conversando com a barriga, pensando em como cuidar da criança quando ela nascer, fazendo o quarto e achando que nunca mais vai dormir direito. Isso, entre outras coisas.

Quando há a convivência diária, muito pais adquirem esta ligação também. E isso não é uma coisa rara. E quando essa convivência diária é interrompida e a criança fica com a mãe? Eu diria que na maioria das vezes essa ligação acaba enfraquecendo e a relação ficando mais distante. Mas isso não é uma regra. É possível fazer diferente. Eu tento fazer diferente.

Quando meu filho, Arthur, era recém-nascido e começava a chorar eu, sem nenhuma explicação lógica, conseguia saber o motivo. Os meses se passaram e ele adquiriu aquele olhar penetrante. Quando eu o pegava no colo ele olhava bem dentro dos meus olhos e eu fazia da mesma forma com ele. Estávamos sim nos comunicando. Tenho certeza de que ali ele sentia todo o meu amor, afeto e preocupação e ele dizendo que precisava de mim. Ninguém me prova o contrário.

O tempo passou e não moramos mais juntos. Como já escrevi aqui, fico com ele em finais de semana alternados e eventualmente em outros dias também. A tendência seria que isso diminuísse de forma drástica. Mas não. Parece que a distância só fez essa ligação crescer. Quando ele me vê abre aquele sorriso gostoso. Estica os braços. Fica me olhando ou então aponta para alguma coisa (normalmente uma bola ou um cachorro) e diz “gol” ou “auau”.

Quando ele está lá em casa, parece que está mesmo na casa dele. Claro que é a casa dele também. Mas quis dizer que não é onde ele fica todos os dias e seria normal se estranhasse um pouco. Quando ele quer alguma coisa, me procura com o olhar. No meu colo ele fica passando a mão na minha barba, como se quisesse fazer carinho. Quando algo dá errado, como uma queda tentando andar, por exemplo, é só o meu colo que o faz parar de chorar. Quando ele quer alguma coisa, olha no fundo dos meus olhos, assim como fazia quando era recém-nascido, e eu sei o que é.

Pode parecer fantasia de um pai babão. Mas estou certo que não é. Tem coisas que não se perdem nunca. E eu sei, que mesmo sem saber falar, ele se comunica comigo à sua maneira. Eu sei que ele sabe que eu sou o pai dele e que, enquanto for necessário, vou estar ali pronto para ajudá-lo quando for preciso e sempre disposto a dar amor e carinho para ele.

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